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Entrevistas

Celina Moura Alvar: “A paisagem também toma decisões”

2 minutos de leitura

Em Marés de Terra Vermelha, o retorno de uma mulher à cidade natal coincide com uma enchente que revela cartas escondidas. Conversamos com a autora fictícia sobre escuta, memória e paisagem.

Quando você percebeu que o rio seria mais que um cenário?

Quando entendi que cada mudança da água alterava o que os personagens podiam fazer, lembrar e esconder. O rio não comenta a trama de fora; ele reorganiza distâncias, cria encontros e obriga Elisa a permanecer onde pretendia apenas passar.

Como a história oral entrou no romance?

Pela atenção às versões. Em uma entrevista, duas pessoas podem recordar o mesmo dia de maneiras incompatíveis e, ainda assim, ambas dizerem algo verdadeiro. Quis levar essa tensão para as cartas e para as conversas familiares.

Você escreve a partir de um plano?

Tenho um mapa emocional, não um roteiro rígido. Sei qual pergunta acompanha cada personagem. As cenas aparecem quando essas perguntas se chocam, e muitas vezes a paisagem oferece a forma do encontro.

O que mais lhe interessa na ideia de retorno?

A diferença entre voltar a um lugar e voltar a uma versão de nós mesmos. Elisa procura a casa da infância, mas encontra uma cidade que mudou e uma memória que nunca foi tão estável quanto imaginava.

Que leitura você espera provocar?

Uma leitura atenta aos silêncios e aos detalhes. Gostaria que o leitor terminasse o livro pensando no que uma família decide guardar e no que a água, às vezes, decide devolver.

Entrevista fictícia produzida para apresentar as possibilidades editoriais do Portal Vitrine Cultural.